Monografia Simplificada

1 de junho de 2014

Escolher um tema exige foco

A escolha do tema ou do problema a ser investigado é a primeira etapa de um trabalho monográfico. Essa escolha deve levar em consideração alguns pré-requisitos: a capacidade e a formação do pesquisador, as experiências e vivências profissionais, os conhecimentos anteriores, a relevância da pesquisa, ou seja, se o trabalho merece ser investigado cientificamente. O tema deve ser formulado como uma pergunta bem simples e clara para que se possa trabalhar melhor e com maior segurança. Quanto mais foco tiver o tema, maiores serão as chances do trabalho ser bem desenvolvido.


Outros fatores que devem ser considerados são: os recursos materiais, financeiros e humanos necessários para execução da pesquisa. O pesquisador deve escolher um tema adequado às suas possibilidades, com material bibliográfico suficiente, disponível e atual, que não seja muito complexo. Por outro lado, deve-se também levar em conta a disponibilidade de tempo que o pesquisador tem para realizar a pesquisa. 

Lembre-se de que uma monografia não exige estudar assuntos que nunca foram pesquisados, algo inédito, complexo e extenso. Na verdade, um trabalho monográfico é o primeiro contato do aluno com uma pesquisa, sendo considerado mais simples do que se pensa. O aprofundamento do tema de pesquisa enfocando aspectos novos e que não foram pesquisados pode tornar-se objeto de dissertações de mestrado ou teses de doutorado.



Quando utilizar um processo de amostragem não probabilística?

São os objetivos do estudo quem definem:
a) Qual será o tipo de estudo;
b) Quem será a população estuda e como ela deve ser selecionada. 
c) Será utilizado amostra?

Supondo-se que o objetivo da pesquisa seja:

Avaliar o uso do preservativo masculino por adolescentes no início da vida sexual de alunos do ensino médio em escolas de um determinado Município.

Quem determina a amostra a ser utilizada?: O pesquisador é quem irá determinar. Para isso deverá estar atento a pergunta da pesquisa, ao tipo de estudo e às variáveis a serem estudadas.

Considerando que o objetivo do estudo já determinou quem é a população (adolescentes do sexo masculino no início da vida sexual ) e o local (2 escolas de ensino médio de determinado município) onde a pesquisa será conduzida. Neste caso pode-se optar por um estudo descritivo-exploratório e, se o pesquisador não puder incluir todos os alunos em seu estudo ele pode optar por utilizar o tipo de amostragem não probabilística por conveniência.


No entanto, é preciso que os motivos da escolha da técnica de amostragem devem estar descritos nos métodos.No exemplo acima, esta técnica de amostragem pode ter sido utilizada por diversos motivos: 

Tempo para realização da pesquisa;

Falta de acesso às outras escolas do referido Município;

Considerando que a opção do autor foi realizar um estudo descritivo-exploratório, provavelmente ele pretendia apenas fazer um levantamento sobre a utilização de preservativos entre de jovens adolescentes do sexo masculino. Os resultados provenientes deste estudo apenas serão considerados como verdade para a população estudada (alunos adolescentes, do sexo masculino, cursando o ensino médio nas escolas selecionadas).

Entretanto, a partir dos resultados deste estudo, seria possível elaborar estudos posteriores com critérios mais precisos na seleção a amostra para que fosse possível generalizar os dados obtidos para a população de jovens, do sexo masculino de uma determinada cidade, estado ou país (dependendo do tipo de estudo que fosse realizado).


Amostragem: Para que serve e quando utilizar

Amostragem é uma técnica estatística que significa extrair do todo (população) uma parte (amostra) com o propósito de avaliar certas características desta população. As principais razões para o uso de amostragens são:

1) Economia: Quando não houver tempo e/ou recursos suficientes para estudar toda a população, é bem mais econômico estudar parte dela.

2) Tempo: existem situações que não haveria tempo suficiente para pesquisar toda a população – a característica a ser estudada é muito variável, sujeita a alteração brusca em curto período de tempo; ou uma pesquisa eleitoral;

3) Confiabilidade dos dados: pesquisar um número menor de elementos ajuda na verificação de erros;

4) Operacionalidade: a condução do estudo fica bem mais fácil com menor número de elementos pesquisados.


Um plano de amostragem deve responder às seguintes questões: quem pesquisar (unidade de amostragem), quantos pesquisar (o tamanho da amostra) e como selecionar (o procedimento da amostragem). A decisão de quem pesquisar exige que o universo seja definido de modo que uma amostra adequada possa ser selecionada. 

A decisão de utilizar amostras ou utilizar a população total está diretamente ligada ao objetivo do estudo. 

Por exemplo: Se o objetivo do estudo for:

Avaliar a prevalência de cárie entre os 45 escolares com necessidades especiais de uma determinada escola do meu município? Neste caso posso utilizar a população total já que o número de participantes no estudo é pequeno.

Avaliar a prevalência de cárie entre os brasileiros em determinado ano. Neste caso torna-se impossível utilizar a população total visto que o número de participantes no estudo é muito grande.

Quando não se deve utilizar amostragem:

Existem situações em que não se deve fazer amostragem porque o resultado do estudo precisa ser altamente preciso como é o caso do censo demográfico realizado a cada dez anos pelo IBGE. O parâmetro número de habitantes residentes no país é fundamental para o planejamento de políticas de governo e deve ser avaliado com grande precisão. Por isso, se deve pesquisar toda a população.

Também não se deve fazer amostragem quando população do estudo é pequena. pois devemos nos lembrar que, a validade do estudo está diretamente ligada ao tamanho da amostra. Amostras muito pequenas geram dados imprecisos

13 de julho de 2012

Desenho de um estudo

Classificação dos desenhos de estudo


Classificação dos desenhos de estudo


A classificação do desenho de um estudo está diretamente relacionado com o tipo de abordagem metodológica que será utilizado para responder à pergunta do estudo. No entanto, para que a classificação seja feita de maneira correta, é necessário observar os fatores mais importantes que irão determinar a escolha adequada do desenho.

Primeiramente é necessário levar em consideração a ação do pesquisador durante a condução do estudo.


Primeiramente é necessário levar em consideração a ação do pesquisador durante a condução do estudo. 

A ação do pesquisador é definida segundo a posição que ele adota diante dos sujeitos da pesquisa.

a) Nos estudos observacionais o observador (pesquisador) apenas observa, de modo passivo, a ocorrência dos eventos sobre os sujeitos da pesquisa.

b) Nos estudos experimentais o observador (pesquisador) exerce uma intervenção direta sobre o objeto em estudo. A intervenção pode ser uma medida terapêutica (uma dieta, um medicamento,fisioterápica) ou uma medida preventiva (vacina, processo educativo, redução de fatores de risco etc).


Em segundo lugar é necessário levar em consideração qual será a unidade de análise a ser utilizada.

Quando a unidade de análise é o indivíduo: 
São os chamados estudos individuado onde os dados são coletados de cada indivíduo introduzido no estudo. Entre os estudo que têm como unidade de análise o indivíduo estão: os estudos de caso, série de casos, estudos de coorte, os estudos de caso-controle, os ensaios clínicos.

Quando a unidade de análise é a população ou grupos populacionais 
onde os dados são coletados da população como um todo (mais frequentemente agregados em função de fatores geográficos ou temporais). Entre os estudos populacionais estão os estudos transversais ou inquéritos, levantamentos, estudos de prevalência. São estudos que produzem uma visão “instantânea” da situação de saúde de uma população ou comunidade, com base na investigação do estado de saúde de cada um dos membros do grupo investigado.

Em terceiro lugar: o tipo de estudo a ser escolhido está diretamente ligado à pergunta da investigação (tema). Tanto os estudos observacionais como experimentais podem ser conduzidos com indivíduos ou com populações. 


Outro eixo freqüentemente identificado nessas pesquisas é o temporal, isto é, a relação de tempo que se estabelece entre exposição e desfecho. A existência de um período de seguimento dos indivíduos em estudo define dois grupos: os estudos transversais e os estudos longitudinais.

Nos estudos transversais não existe período de seguimento, os dados são colhidos num único ponto no tempo e representam um corte transversal ou fotografia das características da população em estudo e são usados, por exemplo, para estudar a prevalência das doenças. No caso dos estudos longitudinais, existe um período de seguimento ou seja, existem pelo menos dois pontos no tempo em que se colhem dados e permitem estudar as mudanças de estado que ocorreram na população durante o período em que esta foi seguida, são usados, por exemplo para estudar a incidência das doenças e em estudos experimentais.

Quanto ao período de referência, isto é, o período a que se referem os dados que são colhidos num estudo, existem dois tipos de estudos: os estudos retrospectivos e os estudos prospectivos.

12 de julho de 2012

Noções básicas sobre amostragem não probabilística (não aleatória)

Amostras não probabilística são muitas vezes a opção para alguns estudos devido à sua simplicidade ou, como acontece na maioria das vezes, não é possível ter uma amostra tão definida para se obterem amostras probabilísticas. As técnicas de amostragem não probabilísticas são utilizadas quando não se conhece a probabilidade de um elemento da população ser escolhido para participar da amostra. 

IMPORTANTE: Desde que seja utilizada em determinadas situações e suas limitações sejam consideradas, a amostragem não probabilística pode ser usada em pesquisas acadêmicas e pesquisas de mercado trazendo contribuições aos estudos nos quais ela é empregada.

É preciso ficar claro para os pesquisadores e para os usuários da pesquisa que esse método possui inúmeras limitações, sendo inferior à amostragem probabilística em termos de precisão de resultados. Quando utilizar o processo de amostragem não probabilística LEMBRAR QUE os resultados produzidos por este tipo de pesquisa devem ser interpretados com cuidado.

O uso de amostragem não probabilística é uma das principais escolhas por alunos que desenvolvem um TCC, uma monografia ou uma Tese de Mestrado. Geralmente esses estudos são exploratórios e não existe a necessidade de uma amostra altamente "precisa" e também não se pretende generalizar os dados obtidos para a população.

Tipos de Amostragem Não Probabilística

a) Amostragem por Conveniência ou Acidental; 


b) Amostragem por Intenção ou por Julgamento;

c) Amostragem por quotas ou Proporcional;


a) Amostragem Não Probabilística por Conveniência ou Acidental: É empregada quando se deseja obter informações de maneira rápida e barata.

É o pesquisador quem define quais as unidades que são convenientes para a pesquisa. Este método é utilizado, geralmente, em pesquisas de opinião, em que os entrevistados são acidentalmente escolhidos por exemplo: mulheres no shopping, alguns amigos e vizinhos, pesquisas de opinião em praças públicas ou em ruas movimentadas de grandes cidades, etc.

b) Amostragem por Intenção ou por Julgamento: É baseada na escolha deliberada e exclui qualquer processo aleatório. Os elementos que deverão compor a amostra são julgados como adequados baseado em escolhas de casos específicos, na população onde o pesquisador está interessado. É o pesquisador quem escolhe os elementos para pertencer à amostra, por julgar tais elementos bem representativos da população.


c) Amostragem por quotas ou Proporcional: A amostra por quotas nada mais é que um tipo especial de amostra intencional. No entanto, na amostragem por quotas a população deve ser conhecida, pelo menos aproximadamente, de forma que a representatividade de cada grupo de dentro da população seja percebida na amostra.

A proporção dos elementos na amostra por quota deve ser similar às proporções encontradas na população de onde a amostra se originou. A grande diferença entre a amostragem por quotas e estratificada é que na amostragem por quotas os elementos não são selecionados através de aleatoriedade, enquanto que na estratificada a seleção dos elementos de cada estrato é feita utilizando amostragem aleatória A amostragem por quotas é freqüentemente usada em pesquisas de opinião e pesquisa de mercado.